Por Rodolfo Jacarandá — Professor e Pesquisador
Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026
O Brasil registrou em 2025 o menor número de mortes violentas de toda a série histórica. Rondônia foi na direção oposta.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou a 20ª edição do seu Anuário, com os dados de 2025 informados pelas secretarias estaduais. São 134 tabelas. Passamos todas elas em revista à procura de Rondônia: 1.092 indicadores do estado, distribuídos por 80 tabelas. O que segue são os achados que consideramos mais relevantes.
Mortes violentas intencionais é o indicador equivalente aos homicídios no Anuário, e corresponde à soma das vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora. Em geral, os dados de crimes do Anuário são fornecidos pelas secretarias estaduais de segurança pública e demais órgãos policiais, estaduais e federais.
Em 2025 o Brasil chegou a 40.775 mortes violentas, o menor número desde que a série começou, em 2012. Rondônia foi de 457 para 493 — uma alta de +7,9%.
Dos nove estados da Amazônia Legal, seis acompanharam a queda nacional e três foram na direção contrária. Rondônia teve a maior alta da região (+7,5% na taxa por 100 mil habitantes), seguida do Acre (+6,3%) e de Roraima (+5,8%). No outro extremo, Amazonas (−32,5%) e Mato Grosso (−23,2%) registraram as maiores quedas. O Brasil caiu 8,2%.
Gráfico 1
Variação da taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, de 2024 para 2025.
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Para comparação, a taxa do Brasil caiu 8,2% no mesmo período.
| Item | Variação |
|---|---|
| Rondônia | +7,5% |
| Acre | +6,3% |
| Roraima | +5,8% |
| Maranhão | −2,2% |
| Tocantins | −2,2% |
| Pará | −3,7% |
| Amapá | −5,9% |
| Mato Grosso | −23,2% |
| Amazonas | −32,5% |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Rondônia registrou 47 mortes por intervenção policial em 2025, contra 8 em 2024 — alta de +488%. É a maior variação do Brasil: a segunda colocada, o Maranhão, teve alta de 84%. No país, o crescimento foi de +5,4%.
Das 47 mortes, 46 foram causadas por policiais militares em serviço. A proporção das mortes violentas do estado que são causadas pela polícia saltou de 1,8% para 9,5%.
Gráfico 2
Mortes causadas por policiais em Rondônia, por ano.
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Série montada com as sete últimas edições do Anuário. Cada edição publica o ano anterior já revisado — e é esse valor que usamos aqui, porque o número cru costuma mudar depois (2022 saiu como 18 e foi corrigido para 9). O dado de 2025 ainda é o cru e será revisado na próxima edição.
| Período | Um salto sem precedente no estado |
|---|---|
| 2019 | 22 |
| 2020 | 20 |
| 2021 | 9 |
| 2022 | 9 |
| 2023 | 9 |
| 2024 | 8 |
| 2025 | 47 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Um número desses costuma ser lido como boa notícia — o Estado finalmente reagindo. É uma leitura equivocada, e vale explicar por quê.
Quando o Estado se vê obrigado a matar, é porque chegou atrasado. O contexto criminal já se consolidou, as armas já chegaram às mãos dos bandidos e os mercados ilícitos já estão crescendo fora de controle.
Matar mais é sintoma de um erro sistêmico grave, não sinal de que a cura está chegando.
Rodolfo Jacarandá, Grupo de Pesquisa Sociedades Punitivas (UNIR/CNPq)
O governo estadual atual tomou posse em janeiro de 2019, quando Rondônia registrou 402 mortes violentas — o melhor resultado de sua história recente. Em 2025 são 493. A taxa por 100 mil habitantes subiu +19,9% no período. A do Brasil caiu 16,8%.
O gráfico abaixo mostra as duas trajetórias se separando. Em 2019 as duas linhas quase se tocam. De 2021 em diante, elas nunca mais se aproximam.
Gráfico 3
Taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, 2012 a 2025.
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A faixa marca o período do governo estadual atual, que tomou posse em janeiro de 2019.
| Ano | Rondônia | Brasil |
|---|---|---|
| 2012 | 31,8 | 27,7 |
| 2013 | 30,3 | 28,0 |
| 2014 | 32,7 | 29,7 |
| 2015 | 32,5 | 28,9 |
| 2016 | 34,9 | 30,2 |
| 2017 | 29,9 | 31,2 |
| 2018 | 25,3 | 27,9 |
| 2019 | 23,5 | 23,0 |
| 2020 | 24,0 | 24,1 |
| 2021 | 27,5 | 23,0 |
| 2022 | 31,8 | 22,7 |
| 2023 | 26,1 | 21,9 |
| 2024 | 26,2 | 20,8 |
| 2025 | 28,1 | 19,1 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Vale registrar o que esse descolamento não significa. Rondônia não é o estado mais violento do país — está em 9º lugar entre as 27 unidades da federação, e há estados com taxas bem maiores. O ponto é a direção: o estado se afastou de uma tendência nacional de queda que durou sete anos.
Gráfico 4
Mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, por unidade da federação, 2025.
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| Posição | UF | Taxa |
|---|---|---|
| 1º | AP | 42,5 |
| 2º | BA | 36,8 |
| 3º | CE | 34,7 |
| 4º | AL | 33,1 |
| 5º | PE | 33,0 |
| 6º | MA | 29,7 |
| 7º | RN | 29,1 |
| 8º | PA | 28,4 |
| 9º | RO | 28,1 |
| 10º | PB | 24,6 |
| 11º | MT | 22,9 |
| 12º | RJ | 22,6 |
| 13º | SE | 22,1 |
| 14º | ES | 22,0 |
| 15º | AC | 21,6 |
| 16º | MS | 20,2 |
| 17º | RR | 19,5 |
| 18º | TO | 19,3 |
| 19º | AM | 18,5 |
| 20º | PI | 17,1 |
| 21º | GO | 16,5 |
| 22º | PR | 15,5 |
| 23º | MG | 12,9 |
| 24º | RS | 11,3 |
| 25º | DF | 9,6 |
| 26º | SP | 7,8 |
| 27º | SC | 7,6 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
É o bloco em que Rondônia aparece pior de forma mais consistente. Em três dos quatro indicadores principais, o estado tem a segunda ou terceira pior taxa do Brasil.
Os feminicídios passaram de 15 para 25 em um ano — alta de +66,0%, contra +4,0% no país. Os homicídios de mulheres no total subiram +14,5%, enquanto no Brasil caíram 5%.
Os registros de descumprimento de medida protetiva de urgência cresceram +38,2% — de 1.373 para 1.904 casos. É o indicador que mede, na prática, quantas vezes uma ordem judicial de proteção foi desrespeitada.
Gráfico 5
Quantas vezes a taxa de Rondônia é maior que a do Brasil, em 2025.
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A linha em 1× é a média nacional. Um valor de 2× significa o dobro do país.
| Posição | Indicador | Vezes a média nacional |
|---|---|---|
| 1º | Estupro e estupro de vulnerável | 2,46× |
| 2º | Feminicídio | 2,00× |
| 3º | Lesão corporal — violência doméstica | 1,79× |
| 4º | Descumprimento de medida protetiva | 1,76× |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
A proporção de feminicídios entre os homicídios de mulheres em Rondônia era de 24,1% em 2019. Em 2025 é de 54,3% — acima da média nacional, de 44,4%.
Parte dessa alta ao longo dos anos é avanço institucional, não piora: significa que a polícia passou a identificar corretamente como feminicídio o que antes registrava como homicídio comum. Mas isso explica a proporção, não o número. O total de feminicídios subiu, e a taxa de Rondônia é a segunda maior do país.
Rondônia tem a segunda maior taxa de estupro do Brasil: 97,1 registros por 100 mil habitantes, contra 39,5 na média nacional. Foram 1.701 casos em 2025.
Dois municípios do estado aparecem no ranking nacional das dez cidades com mais de 100 mil habitantes e maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável: Ariquemes em 2º lugar (102,6 por 100 mil) e Porto Velho em 4º (87,9). O primeiro lugar é Boa Vista, em Roraima.
Os registros de estupro com vítimas de 0 a 17 anos em Rondônia caem 24,5% em 2025. Mas o total de estupros de todas as idades cai apenas 2%. Se as vítimas crianças e adolescentes diminuíram 316 e o total diminuiu 36, as vítimas adultas teriam crescido cerca de 57% em um ano — o que é implausível.
A explicação mais provável é mudança na forma de registrar a idade da vítima. Reforça a suspeita o fato de a queda se concentrar em duas faixas: 14 a 17 anos e 18 a 19 anos, justamente as que fazem fronteira com a maioridade. Por isso não afirmamos aqui que a violência sexual contra adolescentes caiu em Rondônia. O dado precisa ser conferido na base estadual antes de qualquer conclusão.
Vale a ressalva geral que atravessa todo este bloco: números de violência sexual medem registros, não ocorrências. Uma taxa alta pode significar mais violência ou uma rede de proteção mais ativa — delegacias especializadas, escolas que denunciam, conselhos tutelares funcionando. Os dois efeitos se somam nos mesmos números, e o Anuário não os separa.
Este é o bloco em que Rondônia mais lidera indicadores nacionais — e é também o mais novo em profundidade no Anuário.
O estado tem a maior taxa do Brasil em abandono de incapaz e em aliciamento de criança para ato libidinoso, e a segunda em maus-tratos. Em algumas faixas de idade a distância é ainda maior: em maus-tratos de crianças de 5 a 9 anos, Rondônia registra quase o triplo da média nacional.
Gráfico 6
Quantas vezes a taxa de Rondônia é maior que a do Brasil, em 2025 (vítimas de 0 a 17 anos).
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| Posição | Indicador | Vezes a média nacional |
|---|---|---|
| 1º | Aliciamento de criança | 4,22× |
| 2º | Abandono de incapaz | 3,47× |
| 3º | Maus-tratos | 2,55× |
| 4º | Estupro e estupro de vulnerável | 1,67× |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Entre 2024 e 2025 também houve altas expressivas: abandono material de crianças de até 4 anos cresceu 362%, subtração de crianças de 5 a 9 anos cresceu 160% e aliciamento de adolescentes de 14 a 17 anos, 52,6%.
Os três gráficos a seguir mostram onde Rondônia está em cada um desses crimes, ao lado dos outros estados. A área sombreada marca a média do país — tudo o que passa dela é excesso sobre o Brasil.
Gráfico 7
Os dez estados com maiores taxas por 100 mil habitantes de 0 a 17 anos, em 2025.
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A área sombreada marca a média nacional.
| Posição | UF | Taxa por 100 mil |
|---|---|---|
| 1º | RO | 102,2 |
| 2º | AP | 95,0 |
| 3º | RR | 82,3 |
| 4º | MT | 69,0 |
| 5º | SC | 67,1 |
| 6º | SE | 55,0 |
| 7º | MS | 55,0 |
| 8º | DF | 49,5 |
| 9º | AC | 46,5 |
| 10º | TO | 42,5 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Gráfico 8
Os dez estados com maiores taxas por 100 mil habitantes de 0 a 17 anos, em 2025.
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| Posição | UF | Taxa por 100 mil |
|---|---|---|
| 1º | RO | 22,1 |
| 2º | AP | 16,9 |
| 3º | RR | 13,9 |
| 4º | MT | 11,2 |
| 5º | MS | 9,9 |
| 6º | PR | 9,2 |
| 7º | SC | 9,2 |
| 8º | RN | 7,8 |
| 9º | TO | 7,0 |
| 10º | BA | 6,9 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Gráfico 9
Os dez estados com maiores taxas por 100 mil habitantes de 0 a 17 anos, em 2025.
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| Posição | UF | Taxa por 100 mil |
|---|---|---|
| 1º | MS | 206,5 |
| 2º | RO | 197,3 |
| 3º | AP | 187,6 |
| 4º | SE | 164,9 |
| 5º | SC | 160,7 |
| 6º | RS | 132,7 |
| 7º | MT | 130,8 |
| 8º | RR | 130,0 |
| 9º | TO | 123,7 |
| 10º | DF | 122,9 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Rondônia teve o maior crescimento de registros da região Norte. Os registros de tráfico de drogas passaram de 1.202 para 1.707 ocorrências — alta de +41,5%, contra +18,5% no Brasil. As ocorrências de apreensão de drogas subiram +35,4%, contra +9,8% no país.
Em patamar, no entanto, o estado é comum: a taxa de registros de tráfico (97,4 por 100 mil) é praticamente igual à nacional (97,0), o que coloca Rondônia em 12º lugar. É o crescimento que chama atenção, não o nível.
Um contraste merece investigação: enquanto o Brasil reduziu em 18% os registros de porte de droga para uso pessoal, Rondônia aumentou +10,7%.
No campo das armas, o estado lidera: Rondônia tem a maior taxa do Brasil de armas de fogo apreendidas pelas polícias estaduais — 130,1 por 100 mil habitantes, contra 51,0 na média nacional. Foram 2.280 armas em 2025.
É o único bloco em que Rondônia vai claramente melhor que o país, e é importante dizê-lo com o mesmo destaque que se dá ao resto.
Todas as modalidades de roubo caíram no estado, e caíram mais do que a média nacional — que já vinha caindo forte.
Gráfico 10
Queda dos registros de roubo entre 2024 e 2025, em porcentagem.
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RondôniaBrasil
| Indicador | Rondônia | Brasil |
|---|---|---|
| Roubo de veículo | 54,6 | 20,6 |
| Roubo a residência | 41,1 | 19,9 |
| Roubo a transeunte | 36,9 | 23,4 |
| Roubo a estabelecimento comercial | 24,3 | 18,3 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Mesmo assim, Rondônia continua em primeiro lugar no país na taxa de roubo a residência (28,3 por 100 mil, contra 7,5 no Brasil). Ou seja: caiu muito, a partir de um patamar muito alto.
Gráfico 11
As cinco maiores taxas do país, por 100 mil habitantes, em 2025.
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A área sombreada marca a média nacional. Tudo o que passa dela é excesso sobre o país.
| Posição | UF | Taxa |
|---|---|---|
| 1º | RO | 28,3 |
| 2º | AP | 24,8 |
| 3º | RR | 24,4 |
| 4º | PI | 22,6 |
| 5º | AC | 19,1 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
Enquanto o roubo recua, o estelionato eletrônico — os golpes aplicados pela internet — cresce: de 12.444 para 13.985 registros, alta de +12,0%. A taxa de Rondônia (798 por 100 mil) é mais de três vezes a nacional (246), a terceira maior do país.
Porto Velho também aparece em 6º lugar no ranking nacional de roubo e furto de celulares, com 1.123,2 aparelhos subtraídos por 100 mil habitantes.
Rondônia tem 16.201 pessoas privadas de liberdade, alta de +6,5% em um ano. A taxa de 924,7 presos por 100 mil habitantes é mais que o dobro da nacional (452,0) e a terceira maior do Brasil, atrás apenas de Acre e Distrito Federal. O déficit de vagas cresceu de 2.236 para 3.101.
O dado mais grave, porém, é a mortalidade. Morreram 160 pessoas sob custódia do Estado em 2025, contra 63 no ano anterior. A taxa de 991,9 mortes por 100 mil pessoas presas é a maior do Brasil — quase o triplo da média nacional.
Gráfico 12
Óbitos no sistema prisional de Rondônia, por causa declarada.
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20242025
As categorias com causa conhecida caíram. O que cresceu foi a categoria “causa desconhecida”. A alta nessa categoria também ocorreu no país inteiro (+66,5%), mas Rondônia é o caso mais extremo.
| Causa | 2024 | 2025 |
|---|---|---|
| Naturais/ saúde | 8 | 10 |
| Criminais | 34 | 29 |
| Suicídio | 5 | 1 |
| Acidentais | 1 | 0 |
| Causa desconhecida | 15 | 120 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
As categorias com causa conhecida caíram: mortes criminais de 34 para 29, suicídios de 5 para 1. O que cresceu foi a categoria “causa desconhecida”, de 15 para 120.
Em outras palavras: o Estado de Rondônia não sabe informar por que morreram três em cada quatro pessoas que morreram sob sua custódia em 2025.
Rondônia destinou R$ 2,32 bilhões à função Segurança Pública em 2025. Em valores corrigidos pela inflação, isso é +61,8% a mais que em 2021 — bem acima do crescimento da região Norte no mesmo período (+38,4%).
O estado dedica 13,0% de todo o seu orçamento à segurança pública, a segunda maior proporção do Brasil, atrás apenas do Rio de Janeiro.
Gráfico 13
Despesa de Rondônia com a função Segurança Pública, em bilhões de reais de 2025.
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Valores corrigidos pelo IPCA de dezembro de 2025 — o crescimento é real, não é efeito da inflação.
| Período | O gasto com segurança cresceu 62% acima da inflação |
|---|---|
| 2021 | 1,43 |
| 2022 | 1,83 |
| 2023 | 1,84 |
| 2024 | 2,03 |
| 2025 | 2,32 |
Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Anuário 2026.
O confronto entre este gráfico e os de Homicídios e mortes violentas é o resumo do Anuário para Rondônia: o estado é um dos que mais investem em segurança pública no país, aumentou esse investimento em quase dois terços acima da inflação em quatro anos — e, no mesmo período, viu as mortes violentas subirem enquanto o país inteiro as reduzia. O problema não é falta de recurso.
Há um dado que ajuda a entender para onde esse dinheiro não está indo. Ele não vem do Anuário anual, mas de uma edição especial do próprio Fórum, o Raio-X das forças de segurança pública do Brasil, que mediu o efetivo das corporações ao longo de uma década.
Entre 2014 e março de 2023, o efetivo da ativa da Polícia Civil de Rondônia caiu 30,6% — de 2.324 para 1.612 policiais. No mesmo período, o Brasil perdeu 2,0% do seu efetivo civil. Ou seja: enquanto o país praticamente manteve o quadro, Rondônia perdeu quase um terço da polícia que investiga.
Na Polícia Militar a queda foi de 7,2% (5.337 para 4.955), praticamente igual à média nacional (6,8%). A perda de Rondônia, portanto, está concentrada na capacidade de investigar, não no policiamento ostensivo.
Gráfico 14
Redução do efetivo da ativa entre 2013 e março de 2023, em porcentagem.
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RondôniaBrasil
O dado de 2013 de Rondônia refere-se a 2014: o estado não respondeu à pesquisa daquele ano.
| Indicador | Rondônia | Brasil |
|---|---|---|
| Polícia Civil | 30,6 | 2,0 |
| Polícia Militar | 7,2 | 6,8 |
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Raio-X das forças de segurança pública do Brasil (tabelas 3 e 5).
A hipótese que esses números sugerem — e que merece investigação própria — é que a redução da capacidade investigativa tenha contribuído para o adensamento do contexto criminal no estado: menos inquéritos concluídos, menos autoria identificada, mais impunidade e, na ponta, mercados ilícitos operando com menos risco. Tudo isso apesar de o gasto ter crescido.
Duas ressalvas honestas. A série de efetivo vai de 2013 a 2023 e a de gastos, de 2021 a 2025 — são janelas diferentes, então o confronto é sugestivo, não uma comparação no mesmo período. E o número de 2013 de Rondônia refere-se a 2014, porque o estado não respondeu à pesquisa daquele ano.
Desaparecimentos. Rondônia registrou 1.018 pessoas desaparecidas em 2025, alta de +6,6%. A taxa de 58,1 por 100 mil habitantes é a quinta maior do país. Foram localizadas 50 pessoas.
Policiais mortos. Um policial militar foi morto fora de serviço em Rondônia em 2025. Em 2024 não houve registro. No Brasil foram 139 policiais civis e militares vítimas de crimes violentos letais.
Registro civil de armas. O número de armas de fogo registradas e ativas em Rondônia passou de 16.054 em 2019 para 44.072 em 2025 — alta de +175%, contra +105% no Brasil. O estado se armou civilmente bem acima da média nacional no mesmo período em que a violência letal subiu.
Socioeducativo. O número de adolescentes cumprindo medida socioeducativa em meio fechado caiu de 216 em 2019 para 97 em 2025.
Fontes. Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2026 (dados de referência: 2024 e 2025). Dados de efetivo policial: FBSP, Raio-X das forças de segurança pública do Brasil, com posição em março de 2023.
Apuração. Varredura automatizada das 134 tabelas do Anuário, com extração dos 1.092 indicadores referentes a Rondônia e cálculo da posição do estado entre as 27 unidades da federação. Os números de cada gráfico estão abertos em “Ver os números”.
Elaboração. Grupo de Pesquisa Sociedades Punitivas (UNIR/CNPq), projeto AMAZONCRIM.